Dr. Pablo Jordão · Médico Urologista · CRM-RJ 52109371-1 · RQE 50947

Fragmentação do DNA espermático: o que é, quando investigar e como interpretar

Por Dr. Pablo Jordão · CRM-RJ 52109371-1 · RQE 50947 · 30 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Microscópio em bancada de laboratório com ilustração de DNA em dourado sobre fundo azul-marinho

Conteúdo informativo; não substitui consulta médica.

O espermograma é o exame básico da avaliação da fertilidade masculina: mede volume, concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Mas ele não informa tudo. Um homem pode ter espermograma dentro dos valores de referência e, ainda assim, apresentar alterações na integridade do material genético que os espermatozoides carregam. É nesse contexto que entra a fragmentação do DNA espermático, um tema cada vez mais discutido por casais em investigação de infertilidade na Barra da Tijuca, em Nova Iguaçu e em todo o Rio de Janeiro.

O que é a fragmentação do DNA espermático?

Cada espermatozoide transporta metade do material genético que dará origem ao embrião. Esse DNA é compactado de forma muito particular durante a espermatogênese, o que o protege durante o trajeto até o óvulo. A fragmentação corresponde a quebras nas fitas desse DNA, que podem ser de fita simples ou de fita dupla.

Uma pequena proporção de espermatozoides com DNA fragmentado é esperada em qualquer amostra. O que se investiga é quando essa proporção está aumentada. O óvulo tem certa capacidade de reparar danos no DNA paterno, mas essa capacidade é limitada e tende a diminuir com a idade da mulher. Por isso, o tema é sempre analisado do ponto de vista do casal, e não apenas do homem.

Por que ocorre?

As causas são diversas e, muitas vezes, associadas entre si. O mecanismo mais estudado é o estresse oxidativo, isto é, o desequilíbrio entre a produção de espécies reativas de oxigênio e a capacidade antioxidante do sêmen. Também participam falhas na compactação do DNA durante a formação do espermatozoide e processos de morte celular programada.

Entre os fatores associados ao aumento da fragmentação, a literatura descreve:

Quando o exame pode ser indicado?

O teste de fragmentação não é um exame de rotina para todos os homens. As diretrizes da Associação Europeia de Urologia (EAU) e o guia da Associação Americana de Urologia e da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (AUA/ASRM) reconhecem seu valor em situações selecionadas, nas quais o resultado pode mudar a conduta. Entre elas:

A indicação deve ser individualizada. Solicitar o exame sem um objetivo definido pode gerar ansiedade e decisões que não trazem benefício ao casal.

Como o exame é feito

A coleta é semelhante à do espermograma, por masturbação, geralmente após 2 a 5 dias de abstinência, seguindo as orientações do laboratório. Existem diferentes métodos laboratoriais, entre eles:

O resultado costuma ser expresso como um índice de fragmentação (em inglês, DFI), que corresponde à porcentagem de espermatozoides com DNA danificado. Cada método tem valores de corte próprios, e os resultados não são diretamente intercambiáveis. Em muitos estudos com SCSA, índices acima de 25% a 30% são considerados elevados, mas a interpretação depende do método, do laboratório e do contexto clínico.

Como interpretar o resultado

Um índice elevado não significa que o casal não poderá ter filhos. Estudos associam a fragmentação aumentada a menores taxas de gravidez espontânea e a maior risco de perda gestacional, mas a relação com os resultados de reprodução assistida ainda é objeto de debate, e as evidências têm qualidade variável. Da mesma forma, um índice normal não exclui outras causas de infertilidade.

Por isso, o exame deve ser lido em conjunto com a história clínica, o exame físico, o espermograma, as dosagens hormonais e a avaliação da parceira, especialmente sua idade e reserva ovariana.

O que pode ser feito quando a fragmentação está elevada

A conduta depende da causa identificada e do planejamento do casal. As principais estratégias discutidas na literatura são:

Como a espermatogênese leva cerca de 70 a 90 dias, mudanças após qualquer intervenção costumam ser avaliadas a partir de três meses.

A importância da avaliação masculina completa

O teste de fragmentação é uma ferramenta complementar, e não um substituto da consulta com o urologista. A investigação masculina pode identificar condições tratáveis, como varicocele, alterações hormonais e fatores ligados a hábitos de vida, além de, eventualmente, condições de saúde que vão além da fertilidade. Para entender os parâmetros básicos do sêmen, veja também o artigo sobre alterações do espermograma, e, quando houver indicação de investigação genética, o texto sobre genética e infertilidade masculina.

Perguntas frequentes

Espermograma normal descarta fragmentação elevada? Não. Parte dos homens com espermograma dentro da referência apresenta índice de fragmentação aumentado, por isso o exame pode ser útil em situações específicas.

Todo homem em investigação de fertilidade precisa fazer o teste? Não. Ele é indicado quando o resultado pode mudar a conduta, como em perdas gestacionais de repetição ou falhas de reprodução assistida.

Vitaminas e antioxidantes resolvem o problema? As evidências são inconsistentes. O uso deve ser orientado pelo médico, considerando a causa e o contexto do casal.

Em quanto tempo o resultado pode mudar? Como a produção de espermatozoides leva cerca de três meses, a reavaliação costuma ser feita após esse período.

Pontos principais

Referências

  1. Schlegel PN et al. Diagnosis and Treatment of Infertility in Men: AUA/ASRM Guideline (2020, atualizado 2024).
  2. European Association of Urology (EAU). Guidelines on Sexual and Reproductive Health – Male Infertility, 2024/2025.
  3. World Health Organization. WHO laboratory manual for the examination and processing of human semen, 6th ed., 2021.
  4. Agarwal A et al. Sperm DNA Fragmentation: A New Guideline for Clinicians. World J Mens Health, 2020.
  5. Esteves SC et al. Sperm DNA fragmentation testing: Summary evidence and clinical practice recommendations. Andrologia, 2021.
  6. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Recomendações sobre infertilidade masculina.

Tem dúvidas sobre este tema? Uma avaliação individual permite entender o seu caso.

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