Dr. Pablo Jordão · Médico Urologista · CRM-RJ 52109371-1 · RQE 50947

Infecção urinária no homem: sintomas, causas e quando investigar

Por Dr. Pablo Jordão · CRM-RJ 52109371-1 · RQE 50947 · 29 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

Copo de água e frasco de coleta sobre bancada clínica

Conteúdo informativo; não substitui consulta médica.

A infecção do trato urinário (ITU) é muito mais comum em mulheres, por características anatômicas. Nos homens, a uretra mais longa e as secreções prostáticas funcionam como fatores de proteção. Por isso, quando um homem apresenta infecção urinária, especialmente de repetição, é importante investigar se existe algum fator predisponente.

Tipos de infecção

Por que a ITU no homem é considerada "complicada"?

As diretrizes da European Association of Urology (EAU) sobre infecções urológicas consideram que, em homens, a ITU frequentemente envolve a próstata e pode estar associada a alterações estruturais ou funcionais. Por isso, o tratamento costuma ser mais prolongado que na mulher — em geral de 7 a 14 dias, de acordo com o quadro clínico e o antibiótico — e a escolha deve ser orientada por urocultura sempre que possível.

Fatores de risco e causas associadas

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é baseado nos sintomas, no exame físico e em exames de urina: o exame de urina tipo 1 (EAS) e a urocultura com antibiograma, que identifica a bactéria e os antibióticos aos quais ela é sensível. Em homens com sintomas uretrais, secreção ou risco de infecções sexualmente transmissíveis, recomenda-se pesquisa de agentes como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.

Em infecções recorrentes, febris ou com evolução atípica, pode ser necessário investigar com ultrassonografia do aparelho urinário, medida do resíduo urinário após a micção, urofluxometria ou outros exames, conforme a suspeita.

Uso responsável de antibióticos

A resistência bacteriana é um problema crescente de saúde pública, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. A automedicação, o uso de sobras de antibióticos e a interrupção precoce do tratamento contribuem para o surgimento de bactérias resistentes. Por isso, o antibiótico deve ser prescrito por um médico, de preferência após a coleta da urocultura, com dose e duração adequadas.

Algumas classes, como as fluoroquinolonas, embora eficazes na próstata, têm alertas de segurança de agências regulatórias por efeitos adversos em tendões, nervos e aorta, e seu uso deve ser criterioso.

Infecções e fertilidade masculina

Infecções do trato genital masculino, como prostatite, epididimite e algumas infecções sexualmente transmissíveis, podem afetar a fertilidade. Os mecanismos incluem inflamação, aumento do estresse oxidativo, presença de leucócitos no sêmen e, em casos mais graves, obstrução dos ductos que transportam os espermatozoides. A epididimite bilateral, por exemplo, pode deixar sequelas obstrutivas.

A presença de leucócitos aumentados no espermograma (leucocitospermia) pode motivar investigação complementar, mas as diretrizes destacam que nem sempre ela indica infecção, e o uso rotineiro de antibióticos nesses casos sem confirmação deve ser avaliado com cautela.

Prevenção

Quando procurar atendimento imediato

Febre alta, calafrios, dor lombar intensa, impossibilidade de urinar, dor testicular súbita ou piora do estado geral são sinais de alerta e exigem avaliação médica urgente. A dor testicular súbita, em especial, pode corresponder a torção testicular, uma emergência cirúrgica.

Prostatite crônica e dor pélvica

Muitos homens que procuram atendimento com sintomas atribuídos à "prostatite" não têm infecção bacteriana. A síndrome da dor pélvica crônica é caracterizada por dor ou desconforto na região perineal, testicular, peniana ou suprapúbica por pelo menos três meses, frequentemente acompanhada de sintomas urinários e sexuais. Nesses casos, o uso repetido de antibióticos não costuma trazer benefício. O tratamento é multimodal e pode incluir fisioterapia do assoalho pélvico, medicamentos direcionados aos sintomas, manejo do estresse e mudanças de hábitos.

Infecções sexualmente transmissíveis

Em homens sexualmente ativos, sobretudo jovens, sintomas como ardência ao urinar e secreção uretral frequentemente estão relacionados a uretrites causadas por infecções sexualmente transmissíveis. O Ministério da Saúde, por meio do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST, orienta a investigação e o tratamento adequados, incluindo a avaliação e o tratamento das parcerias sexuais e a testagem para HIV, sífilis e hepatites virais.

Sangue na urina: um sinal que merece atenção

A presença de sangue na urina (hematúria), visível ou detectada apenas no exame laboratorial, pode ocorrer durante uma infecção urinária. No entanto, ela também pode estar relacionada a cálculos, alterações da próstata e tumores do trato urinário. Por isso, a AUA recomenda que a hematúria seja reavaliada após o tratamento da infecção e, se persistir, investigada conforme o risco de cada paciente, especialmente em fumantes e homens acima dos 40 anos.

Bacteriúria assintomática

Encontrar bactérias na urocultura de um homem sem sintomas nem sempre significa infecção que precise de tratamento. A Infectious Diseases Society of America (IDSA) recomenda, em geral, não tratar a bacteriúria assintomática, exceto em situações específicas, como antes de procedimentos urológicos com risco de sangramento da mucosa. Evitar tratamentos desnecessários reduz efeitos adversos e o risco de resistência bacteriana.

Perguntas frequentes

Beber muita água cura a infecção urinária? A hidratação ajuda na prevenção, mas não substitui o tratamento quando indicado.

Posso repetir o antibiótico que usei da última vez? Não é recomendado sem avaliação médica; a bactéria e a sensibilidade podem ser diferentes.

Pontos principais

Referências

  1. European Association of Urology (EAU). Guidelines on Urological Infections, 2024/2025.
  2. Anger J et al. Recurrent Uncomplicated Urinary Tract Infections in Women: AUA/CUA/SUFU Guideline, 2019/2022 (referência para princípios de diagnóstico e uso de antibióticos).
  3. World Health Organization. Global antimicrobial resistance and use surveillance system (GLASS) report.
  4. Sociedade Brasileira de Urologia; Sociedade Brasileira de Infectologia – recomendações sobre ITU.
  5. Nicolle LE et al. Clinical Practice Guideline for the Management of Asymptomatic Bacteriuria: IDSA, 2019.
  6. Ministério da Saúde. PCDT para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022.
  7. Barocas DA et al. Microhematuria: AUA/SUFU Guideline, 2020.

Tem dúvidas sobre este tema? Uma avaliação individual permite entender o seu caso.

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