Dr. Pablo Jordão · Médico Urologista · CRM-RJ 52109371-1 · RQE 50947

Longevidade masculina: prevenção e cuidado em cada fase da vida

Por Dr. Pablo Jordão · CRM-RJ 52109371-1 · RQE 50947 · 29 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Tênis de corrida, garrafa de água e frutas diante do mar ao amanhecer

Conteúdo informativo; não substitui consulta médica.

No Brasil, segundo o IBGE, a expectativa de vida dos homens é cerca de sete anos menor que a das mulheres. Parte dessa diferença se explica por fatores comportamentais: os homens procuram menos os serviços de saúde, fazem menos exames preventivos, têm mais exposição a acidentes e violência e maior prevalência de tabagismo e consumo de álcool. Pensar em longevidade masculina é pensar em prevenção, diagnóstico precoce e qualidade de vida.

Saúde sexual e reprodutiva como sinal de alerta

Uma das ideias mais importantes da medicina masculina atual é que a função sexual e a fertilidade funcionam como "janelas" para a saúde geral.

Os pilares da prevenção

1. Atividade física

A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, além de exercícios de fortalecimento muscular em dois ou mais dias por semana. A preservação da massa muscular ganha importância com o envelhecimento, pois a sarcopenia está associada a quedas, fragilidade e perda de autonomia.

2. Alimentação e peso corporal

Uma alimentação baseada em alimentos minimamente processados, rica em vegetais, frutas, grãos integrais e fontes adequadas de proteína, como preconiza o Guia Alimentar para a População Brasileira, contribui para o controle do peso, da pressão arterial, da glicemia e do colesterol. O excesso de gordura abdominal está relacionado a menor testosterona e pior qualidade seminal.

3. Sono

Dormir de 7 a 9 horas por noite é recomendado para adultos. A apneia obstrutiva do sono, frequente em homens com sobrepeso, está associada a hipertensão, risco cardiovascular, sonolência diurna e redução da testosterona. Ronco alto e pausas respiratórias durante o sono merecem avaliação.

4. Tabaco, álcool e outras substâncias

Parar de fumar é uma das medidas com maior impacto na expectativa de vida, além de beneficiar a função erétil e a fertilidade. O consumo de álcool deve ser evitado ou mantido baixo. O uso de anabolizantes sem indicação médica traz riscos cardiovasculares, hepáticos e reprodutivos.

5. Saúde mental

Ansiedade e depressão são frequentemente subdiagnosticadas em homens e podem se manifestar como irritabilidade, isolamento ou abuso de substâncias. A taxa de suicídio é maior entre homens. Buscar apoio profissional é sinal de cuidado, não de fraqueza.

Exames e acompanhamento

A periodicidade dos exames deve ser individualizada conforme idade, histórico familiar e fatores de risco. De forma geral, o acompanhamento inclui:

Câncer de próstata: decisão compartilhada

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos — ou a partir dos 45 anos, se tiverem fatores de risco como histórico familiar ou ascendência negra — conversem com o urologista sobre o rastreamento com PSA e exame clínico. A AUA e a EAU também defendem a decisão compartilhada, considerando benefícios e possíveis riscos de sobrediagnóstico.

Autoexame testicular

O câncer de testículo é mais comum entre 15 e 40 anos. Conhecer o próprio corpo e procurar avaliação ao notar nódulos, aumento de volume ou sensação de peso no testículo permite diagnóstico precoce.

Envelhecer com qualidade

Longevidade não é apenas viver mais, mas viver melhor: manter autonomia, vida sexual satisfatória, energia e bem-estar. A avaliação periódica com uma abordagem integral — que considere hormônios, função sexual, saúde urinária, metabólica e emocional — ajuda a identificar precocemente condições tratáveis.

Saúde cardiovascular: o principal foco

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre homens no Brasil e no mundo. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade e sedentarismo são fatores de risco modificáveis. A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que adultos conheçam seus níveis de pressão arterial, glicemia e colesterol e os acompanhem periodicamente. Medir a pressão é simples e permite identificar a hipertensão, frequentemente silenciosa por anos.

Saúde urinária com o envelhecimento

A partir dos 50 anos, é comum o crescimento benigno da próstata (hiperplasia prostática benigna), que pode causar jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto, necessidade de urinar à noite e urgência. Esses sintomas não devem ser considerados apenas "coisa da idade": eles afetam o sono e a qualidade de vida e podem ser avaliados e tratados. A AUA e a EAU dispõem de diretrizes específicas que orientam desde mudanças de hábitos até tratamentos medicamentosos e procedimentos.

Saúde óssea e muscular

A osteoporose também acomete homens, especialmente em idade avançada, com deficiência de testosterona, uso prolongado de corticoides, tabagismo ou consumo excessivo de álcool. A manutenção da força muscular por meio de treinamento resistido, a ingestão adequada de proteínas, cálcio e vitamina D (conforme orientação profissional) e a prevenção de quedas são estratégias importantes para preservar a autonomia ao longo dos anos.

Paternidade e idade

A fertilidade masculina também é influenciada pela idade. Embora o homem possa produzir espermatozoides por toda a vida, estudos mostram que, com o avanço da idade paterna, há redução gradual dos parâmetros seminais, aumento da fragmentação do DNA espermático e pequeno aumento do risco de algumas condições na descendência. Para homens que desejam ter filhos mais tarde, conversar com um especialista sobre planejamento reprodutivo, incluindo a possibilidade de congelamento de sêmen, pode ser útil.

Perguntas frequentes

A partir de que idade devo ir ao urologista? Não há idade mínima: jovens podem ter dúvidas sobre saúde sexual, testículos e fertilidade. A partir dos 45–50 anos, a avaliação periódica ganha importância adicional.

Suplementos ajudam na longevidade? Na ausência de deficiência comprovada, a evidência de benefício é limitada. O uso deve ser orientado por profissional de saúde.

Pontos principais

Referências

  1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tábuas Completas de Mortalidade, 2023.
  2. World Health Organization. Guidelines on physical activity and sedentary behaviour, 2020.
  3. Sociedade Brasileira de Urologia. Nota sobre rastreamento do câncer de próstata.
  4. Eisenberg ML et al. Semen quality and mortality: a prospective cohort study. Hum Reprod, 2014.
  5. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª ed.
  6. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2020.
  7. Lerner LB et al. Management of Lower Urinary Tract Symptoms Attributed to BPH: AUA Guideline, 2021/2023.

Tem dúvidas sobre este tema? Uma avaliação individual permite entender o seu caso.

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